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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Beto or Die, o eterno rei da Roosevelt

BETO OR DIE
O ETERNO REI DA ROOSEVELT
Entrevista Marcos Hiroshi / Retrato Atilla Chopa






Nascer e crescer no bairro da Bela Vista, no Centro de São Paulo, foi ótimo pelo fácil acesso a todas as regiões da cidade, e crucial para eu conhecer o skate, já que a R. Arthur Prado, meu endereço durante quase 30 anos, foi um dos principais points de encontro de skatistas daquela região no final dos anos 80.
Lembro como se fosse hoje. Estar no meu quarto e ouvir de longe um som peculiar que quebrava o silêncio das tardes de domingo. Era o som da madeira estralando no chão e de rodas derrapando no asfalto.

Já reconhecia muito bem aquele conjunto de sons. Corria para a janela e, com uma visão privilegiada, conseguia avistar de camarote aquele skatista subindo a calçada com velocidade, na sequência emendando um belo wallride na áspera parede da companhia de gás localizada em frente ao meu prédio.

Era o Beto Or Die, retornando de alguma session. Essa foi outra vantagem de morar neste bairro boêmio de SP, e residir a poucas quadras da casa de um dos melhores e mais respeitados skatistas daquela época.

Os impulsos realizados com vontade, as manobras agressivas e o estilo inconfundível deste skatista servem de referência até hoje para mim e para muitos outros que puderam apreciar as habilidades únicas desta lenda do skate.

Hoje, aos 41 anos, Roberto Barreiro, o Beto Or Die, é proprietário de uma companhia de investimentos, mas ainda consegue arranjar tempo, na concorrida agenda, para os seus rolês de skate. E também para esse bate-papo com a CemporcentoSKATE, para lembrar da sua época como skatista profissional. Beto Or Die, o eterno rei da Roosevelt.


O que você fez depois que saiu da cena do Skate?

Em 1991, quando voltei da Europa e EUA, comecei a apreciar e olhar para o futuro. Na década de 1990, o skatista e o esporte infelizmente eram muito marginalizados. Então, com o Brasil passando por uma grande mudança e transição econômica, isso fez com que eu entrasse para o mercado de trabalho financeiro, mais precisamente um banco, onde me tornei um especialista em finanças em grandes bancos de investimento e logo após CEO de grandes companhias nacionais. Atualmente administro minha própria companhia de investimentos, focada em recursos nacionais e internacionais.

E ainda faz seus rolês de skate?

Hoje ainda faço e, como sempre, por pura diversão, principalmente quando levo meu filho para se divertir. Creio que a grande essência deste esporte é andar por amor, pela diversão em conhecer e ajudar novas pessoas.

Qual o fato que mais marcou sua carreira como skatista atuante?

O fato é que uma vez que você faz algo do bem, você colhe o bem. O skate me preparou muito para a vida, o esporte, toda aquela concentração e dedicação em atingir ou conquistar uma manobra, isso tudo me tornou uma pessoa extremamente dedicada e focada em tudo que eu faço hoje.

Como você se sente vendo o pouco que sobrou da antiga Pça Roosevelt, que foi palco de sessões memoráveis por diversas fases do skate nacional?

Já me senti muito triste em ver como e no que havia se tornado, mas agora estou muito feliz em saber dos novos projetos que serão desenvolvidos por lá, ou seja, abrindo as portas para o esporte e tirando muitas crianças da rua do centro velho de São Paulo.

De onde surgiu o apelido Beto or Die?


Ah, isto é muito peculiar! Quando comecei a andar de skate na década de 80, sempre ia ao Ibirapuera e ficava olhando o Thronn e outros skatistas andando por lá. Naturalmente, como todo novato, eu tentava de tudo um pouco, e com a minha evolução eu passei a ter um contato maior com os Ibiraboys (nome dado a galera do Ibirapuera), e foi quando conheci o Rui Muleque, uma pessoa de grande caráter e humildade, que me ajudou muito em poder varar rampas e me tornar um grande skater. Depois, passei a andar na Roosevelt, e lá era bem casca dura de andar! Quem se lembra sabe bem do que estou falando... E eu me jogava muito nas manobras, e aí foi o Thronn que falou: “o Beto é o seguinte, ou ele acerta as manobras ou vai morrer!” Daí surgiu o Beto or Die!

CemporcentoSkate

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